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sábado, 14 de julho de 2012

INDICO 

Segue uma sugestão para rezar o Evangelho do próximo domingo.  15/07/2012

Pe. Adroaldo sj

 
Experiência de encontro com o Cristo das estradas poeirentas

“Se você não mover os pés, não reconhecerá o ritmo da vida”


A palavra “caminho” concentra em si uma das mais profundas experiências do ser humano, revela uma das experiências mais primitivas na sua arte de viver. Viver é caminhar. Em nossas entranhas, fomos feitos com “fome de estrada”. Nascemos com essa inquietude: nossa vida é uma longa jornada. “Temos fome e sede de estrada, e ela está ardendo por dentro”.
Qual é o caminho da vida? É a própria vida, ou seja, o modo como se vive constitui o caminho da vida ou a vida como caminho; isso revela que cada ser humano é essencialmente “viator”, é um caminhante; ele não recebe a existência pronta; não possui ainda a vida em plenitude.
Mais importante que percorrer um caminho é “fazer caminho”. Percorrer um caminho é andar por sendas abertas por outros e já palmilhadas pela tradição. O risco é menor e a certeza mais consistente.
Abrir caminho é explorar o desconhecido, enfrentar perigos e correr riscos. Isto constitui o “meu cami-nho” e a “minha direção” na vida. Não se trata mais de um caminho como algo já feito e construído do qual fazemos uso; trata-se de um caminhar, ou seja, auscultar e seguir os apelos que emergem do cora-ção da própria vida. Nosso caminho pessoal tem de ser desbravado com criatividade, ousadia e destemor. Fazemos o nosso caminho a partir de um centro que é nossa individualidade irrepetível, nossa perso-nalidade. Em outros termos: nunca haverá um simples uso de um caminho feito por outros. Cada um tem de caminhar. Cada um tem de ser caminho.
                “Não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar” (Thiago de Mello).

A Sagrada Escritura é atravessada pela revelação de um Deus que também empreendeu um caminho em direção à humanidade. O ser peregrino, por parte do ser humano, corresponde ao ser peregrino por parte de Deus. O caminho se converte, então, em caminho para um encontro mútuo, um encontro de dois peregrinos.
Também o cristianismo sempre foi entendido como Caminho e Seguimento de Jesus Cristo. As diferentes espiritualidades são compreendidas como caminhos dentro do único Caminho que é J. Cristo.
Os Evangelhos, portanto, não ensinam chegadas, partidas. Esse é o desafio: “entrar”  no caminho de Jesus é viver em terra de andanças.  É a pura alegria de caminhar e nesse caminhar a vida desabrocha como verdadeiramente humana. Nesse caminhar descobre-se Deus e com Ele todo o sentido do universo.
Guimarães Rosa dizia que a coisa não estava nem na partida e nem na chegada, mas na travessia.
A experiência do seguimento de Jesus é “experiência de travessia”, onde cada um constrói seu caminho diferente, original, não-normal... como Cristo.

No seguimento de Jesus não há caminho, mas caminhos; não há traçado comum, mas trajetórias dife-rentes, ainda que confluentes. São caminhos de cristificação.
Jesus, o Homem dos Caminhos, chama para uma Vida nova. Chama na vida e para a vida e põe as pessoas em movimento, a caminho. A “pegada” que Ele deixa ao passar é sua própria Vida partilhada.
Jesus é o homem que se definiu. Ele tem um sonho, um projeto. E surge diante das pessoas com força pessoal capaz de sacudí-las e colocá-las em movimento. Ele “passa” e sua presença as atrai arrancando-as da acomodação. Faz-se do chamado um caminho, quando se partilha a vida com quem chamou. Res-ponder ao chamado feito por Jesus significa tornar esse chamado um caminho de entrega e de serviço.                                                  

O Evangelho de hoje confirma que a missão requer andanças. A forma de realizar a viagem identifica o discípulo como representante do Reino. A disponibilidade para colocar-se em marcha deve ser total, ime-diata e sem distrações. Não há nada imprescindível para o trajeto senão a vontade de executar o percurso; as autênticas necessidades estão do outro lado do caminho, de maneira que Jesus nos mobiliza na atitude do despojamento como estratégia que evita o imobilismo e a lentidão do deslocamento.
“Nada para o caminho” favorece a fixação unicamente no propósito fundamental da marcha.
Há uma exceção: “um cajado somente”. O cajado exclui, neste contexto, qualquer significado associado a mando, violência, poder, direção. A necessidade do cajado adquire sentido por sua relação ao caminho e por sua condição de símbolo do caminhante. O cajado identifica o discípulo em sua missão itinerante e repele a sedução do sedentarismo.

Os convites de Deus são absolutos e constantes. Se estamos apegados ao que temos, jamais seremos capazes de “fazer estrada com Deus” e participar da preciosa vida que Ele nos oferece.
Pioneiras são as pessoas que vão a lugares em que ninguém esteve antes: “gente de fronteira”.
“Peregrino, peregrino, que não sabes o caminho: aonde vais? Sou peregrino de hoje, não me importa onde vou; amanhã? Nunca talvez. Admirável peregrino, todos seguem teu caminho” (Manuel Machado).
Na estrada do peregrino, há o despojamento, a pobreza, por vezes a fome e a sede, os caprichos das estações, a incerteza dos dias de amanhã. Há a liberdade do espírito, horizontes infinitos, sem limites nem constrangimentos, os ímpetos de adoração, de oblação, de ação de graças.
Há o imprevisto, o acontecimento inesperado, favorável ou adverso, que é o melhor e mais seguro dos sinais de Deus, que comanda o ritmo da marcha, as paradas, as estadias, as partidas, as mudanças de rumo ou itinerário. Há o encontro com “fiéis e infiéis”, companheiros que só por algum tempo “seguem caminho”, ou companheiros que se mantém fiéis, amigos que ajudam, inimigos que espreitam, gatunos que roubam, pobres que compartilham o mesmo pão.

Quando compartilhados, os caminhos transformam os caminhantes. As pessoas aprendem a se desfazer do supérfluo, a acelerar ou retardar o passo, a partilhar dramas, a ouvir e a falar, a experimentar a humil-dade de pedir acolhida... Enfim, achegar-se ao próprio coração.
Finalmente, a Estrada aproxima o peregrino cada dia, a cada instante, da meta ainda escondida, mas certa. Ao voltar-se para trás, ele se dá conta de que o itinerário foi realmente maravilhoso, que a experi-ência o transformou, que está mais puro”, mais livre”, mais autêntico”... numa palavra, que Deus, que está no têrmo, já palmilhava a Estrada com Ele.
Textos bíblicos:     Mc. 6,7-13

Na oraçãoJesus das estradas poeirentas
                  “Dá-me percorrer contigo, Senhor, tua terra de
andanças. Dá-me seguir-te a Ti somente. 
Tu passaste deixando tuas “pegadas” no pó da estrada, e sem perguntar “por que” muitos te seguem. Vás sem nada, peregrino, caminhando qual romeiro; e vás chamando seguidores, que te seguem sem nada levar. Quem se atreve a pisar descalço tuas pegadas, sempre em marcha? A cidade não é teu caminho, é dura para as tuas sandálias. Gostas de deixar na terra a marca de tuas pegadas.
Senhor dos Caminhos, que tiras as pessoas da segurança, das suas casas, de seus bens... e as atrai para seguir teu passo, feito atalho estreito, um convite para ir onde quer que vás.
Quero ser caminhante, de coração pobre e livre, feito tenda aberta em teu chamado. Amém!”  

- Nas nossas vidas acontece algo de verdadeiro e belo quando nos dispomos a buscar dentro de nós mesmos a razão da nossa existência: falta-nos ainda muito por saber, por ver, por sentir, por desfrutar...
- No “mapa espiritual” de nosso interior ainda existe uma “terra desconhecida”, que proporciona interesse à vida, suscita curiosidade, nos põe a caminho...  Grandes surpresas interiores estão à nossa espera, e a capacidade de continuar procurando é que dá sentido ao esforço e vigor à vida.
- A nossa vida é um êxodo, um sair constante de uma realidade para entrar em uma outra realidade nova.
  O peregrinar é o elemento determinante e com maior valor simbólico para toda a vida.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

TEMPO PASCAL


Tempo Pascal

            O Ano Litúrgico “compreende dois tempos fortes: o Ciclo Pascal, tendo como centro o Tríduo Pascal, a Quaresma como preparação e o Tempo Pascal como prolongamento; o Ciclo do Natal, com sua preparação no Advento e o seu prolongamento até a festa do Batismo do Senhor. Além destes dois, temos o Tempo Comum” (CNBB, Guia Litúrgico-Pastoral. Edições CNBB, p. 11).
            O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa na 5ª feira santa à noite (depois do por do sol), com a Celebração da Ceia (mandamento do amor, lava-pés) e vai até à tarde do domingo da Páscoa da Ressurreição com as Vésperas. O Tríduo Pascal (o Cristo Crucificado, Sepultado e Ressuscitado) é o ápice do Ano Litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, “quando Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo seu mistério pascal, quando morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando renovou a vida” (Normas sobre o Ano Litúrgico e o Calendário - NALC, 18).
            O Tempo Pascal é de 50 dias, entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes. É o tempo da alegria e da exultação, um só dia de festa, “um grande domingo”. São dias de Páscoa e não após Páscoa (cf. NALC, 22).  “Os oito primeiros dias do tempo pascal formam a oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor” (NALC, 24). “Ressuscitados com Cristo, cantamos sua glória, sua vitória sobre a morte. O ‘aleluia’ volta a ressoar em nossos lábios, invadindo todo o nosso ser com ardor sempre crescente, pois ‘as coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo’” (CNBB, Guia Litúrgico-Pastoral, p. 88).
            A solenidade da Ascensão, no Brasil, é celebrada no 7º domingo da Páscoa. A semana seguinte, até Pentecostes, caracteriza-se pela preparação à celebração da vinda do Espírito Santo. Em sintonia com as outras Igrejas cristãs, nesta semana realizamos no Brasil a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos” (cf. Diretório Ecumênico, 22 e 24).         
Para os cristãos, a Páscoa (até a Páscoa definitiva) é o acontecimento histórico central. Celebrar ou fazer a memória da Páscoa (Mistério Pascal) significa torná-la presente no mundo de hoje, vivenciá-la em todas as dimensões da vida humana e cósmica. A Liturgia é a celebração da Vida no Mistério Pascal e, ao mesmo tempo, a celebração do Mistério Pascal na Vida. A espiritualidade é - em seu sentido mais profundo - espiritualidade pascal. Vejamos o porquê.
            Em primeiro lugar (no sentido lógico e não cronológico), a espiritualidade é o jeito “humano” de ser do ser humano e envolve o ser humano todo, em todas as suas dimensões e relações. Ela perpassa, impregna e absorve a totalidade do ser humano, a totalidade de sua existência.
Como, porém, o ser humano, por ser histórico (situado e datado), é um "vir-a-ser" e um ser de busca permanente, ele pode - ao longo de sua vida no mundo e na sociedade - adquirir uma profundidade e intensidade sempre maior na vivência do "humano", até o fim da vida. Portanto, a espiritualidade é, antes de tudo, espiritualidade humana. Ser espirituais significa ser “humanos”, viver a humanidade em graus crescentes de profundidade e intensidade. Nunca ninguém exagera em ser “humano”, nunca ninguém é “humano” demais.
Para os cristãos, à luz da fé, a espiritualidade humana é espiritualidade cristã. Não pode, porém, ser espiritualidade cristã se não for primeiro (sempre no sentido lógico e não cronológico) espiritualidade humana. A espiritualidade cristã é uma espiritualidade radicalmente humana. Os cristãos, em nome de sua fé, não têm o direito de ser omissos, mas devem estar sempre na linha de frente em todas as lutas que visam tornar a sociedade e o mundo mais humanos.
“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos seres humanos de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração” (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje - GS, 1). Trata-se de uma solidariedade (compaixão) entranhável dos cristãos com toda a humanidade. Na prática e não só na teoria, os cristãos deveriam ser, por assim dizer, especialistas em humanidade.
            Os cristãos acreditam que "o mistério do ser humano só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado. (…) Cristo manifesta plenamente o ser humano ao próprio ser humano e lhe descobre a sua altíssima vocação" (GS, 22). "Todo aquele que segue Cristo, o Homem perfeito, torna-se ele também mais ser humano" (GS, 41). "A razão principal da dignidade humana consiste na vocação do ser humano para a comunhão com Deus" (GS, 19). "A fé esclarece todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral do ser humano. E por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas" (GS, 11).
Reparem que o texto não diz “soluções não somente humanas, mas também sobrenaturais” (visão dualista da vida humana), mas diz “soluções plenamente humanas”. Para os cristãos, o plenamente humano inclui a dimensão da fé. O cristianismo é um humanismo pleno, um humanismo radical. Pela fé, os cristãos descobrem sempre mais claramente o verdadeiro sentido da vida (na história), até o seu pleno, último e definitivo sentido (na meta-história).
Pela centralidade da Páscoa na vida dos cristãos, a espiritualidade cristã é, pois, espiritualidade pascal: cristológica, pneumatológica e trinitária (comunitária - eclesial). Viver a espiritualidade pascal significa viver como Jesus viveu, morrer como Jesus morreu, ressuscitar como Jesus ressuscitou. Em outras palavras, viver a espiritualidade pascal significa fazer acontecer a Páscoa de Jesus na vida pessoal, na história humana e no mundo todo. A Páscoa (o mistério pascal), que é passagem da morte (e de tudo o que a morte significa) para a vida (vida nova em Cristo, vida segundo o Espírito) é uma realidade dinâmica (processual), que impregna a totalidade da existência humana no mundo.
Para os cristãos, a vida é uma caminhada pascal, que faz o Reino de Deus acontecer, até a Páscoa definitiva, que é a plenitude do Reino de Deus, a plenitude da Vida e da Felicidade. Que a nossa espiritualidade seja realmente - e sempre mais - espiritualidade pascal!

Obs.: Veja também o meu artigo Espiritualidade pascal: no Diário da Manhã, 21/04/11, p. 15, ou no link: http://www.adital.com.br/site/noticia_imp.asp?lang=PT&img=N&cod=55841.


      Diário da Manhã, Opinião Pública, Goiânia, 01/04/12, p. 07




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Prof. de Filosofia da UFG aposentado
Prof. na Pós-Graduação em Direitos Humanos
(Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil / PUC-GO)
Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arquidiocese de Goiânia
Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Terra

sábado, 12 de novembro de 2011

Texto bíblico: Mt. 25, 14-30


LIVRA-NOS DO DEUS QUE DÁ MEDO

“De Deus dizemos tranqüilamente coisas que não nos atreveríamos
                         dizer de nenhuma pessoa decente” (Tony de Mello)

Chegamos à pós-modernidade com uma enorme carga de medo; somos atormen
-tados o tempo todo pelo medo; um medo sem nome, um fantasma sem rosto, escuro como uma sombra e rápido como uma tempestade; medo cruel que afeta os corajosos e agride os ousados.
O medo deixa as pessoas vulneráveis à manipulação.
Uma longa cadeia de medos, da primeira à última respiração, nos ameaça nesta terra de sombras.
Diferentes medos congelam nossas relações, atormentam nossa vida, que-bram nossa serenidade, obscurecem o nosso próprio ser, matam nossos so-nhos e intuições: medo do fracasso, da velhice, medo de mudanças,  medo de decidir, medo de não corresponder às expectativas dos outros, medo de perder o emprego, medo de se comprometer, medo da situação social-econômica, medo da violência, medo do diferente, medo do vazio, medo do outro, medo da solidão, medo do novo, medo de viver e de morrer, medo de dizer a verdade  (dá medo porque também se tem medo da verdade), medo do futuro...; há um medo silencioso que se manifesta na falta de sentido da vida: o medo que abala as razões para viver. Nada mais terrível do que ter medo de tudo. Com medos é insuportável viver.

O medo é um câncer que ameaça à fé, ao amor e à esperança de pessoas e instituições; ele corrói as fibras humanas, asfixia talentos, esvazia a vida e mata a criatividade.
O medo encolhe o ser humano, inibe a decisão e bloqueia os movimentos em direção ao “mais”.
A intensidade do medo pode anular a capacidade de reação das pessoas ou das instituições; ele impede o discernimento e a busca da solução mais inteligente para os problemas; longe de resolvê-los, pode agravá-los a médio e longo prazo.
Enfim, o medo obscurece o sentido e a direção da vida, tira o brilho tão próprio do amor; ele nos aco-varda e nos enterra na acomodação mesquinha. E este medo se projeta na relação com Deus, ou seja, o medo nos faz projetar uma falsa imagem de Deus.
Quem pensa e sente dessa maneira, dificilmente pode relacionar-se com o Deus que Jesus nos revelou. Deus já não é o Pai misericordioso, senão o Transcendente que se compreende a partir do poder, da grandeza, da onipotência e tudo o que supera infinitamente o ser humano. Como conseqüência a relação com Ele já não é mais vivida a partir da bondade e do amor, mas da força e do medo.
Quem está convencido de que Deus atua assim, na realidade crê num “Deus” que é um constante perigo e uma ameaça insuportável.

Por isso, é urgente acabar com a imagem de Deus que ameaça, que não liberta nem cura, que nos amarra e não nos deixa viver.
Nesse sentido, é útil mergulhar e conhecer o verdadeiro sentido da Parábola dos talentos (Mt. 25,14-30)
Normalmente, costuma-se explicar esta parábola dizendo que Deus dá a cada pessoa uma quantidade determinada de talentos, divinos e humanos, dos quais terá de prestar contas a Ele, até o ultimo centavo, no dia do Juízo Final. Quando se interpreta a parábola dessa maneira, o Deus que aí aparece é uma ameaça insuportável; ao considerar a parábola como uma exortação à responsabilidade, falsifica-se o sentido autêntico da mesma. O que está em questão aqui é a “imagem” de Deus que todos trazemos.

Temos de levar em conta a situação concreta que Jesus vivia quando falava em parábolas. Ele viveu situações muito conflitivas e de enfrentamento com os fariseus, os sumos sacerdotes, os mestres da lei.
Mateus coloca esta parábola em um momento de máxima tensão e enfrentamento de Jesus com os fariseus; concretamente, com o “Deus” dos fariseus, que era um Deus terrível, ameaçante e justiceiro.
O indivíduo que recebeu um só talento estava convencido de que o “senhor”, ou seja, Deus, é “duro”, pois “colhe onde não semeou e ajunta onde não espalhou”. Esse indivíduo tinha uma idéia terrível de Deus. E por isso, como é natural, “tinha medo”; e o medo o levou a “esconder o talento debaixo da terra”. Isso, precisamente, foi sua perdição. O medo paralisa, ou seja, torna as pessoas estéreis.
No fundo, Jesus está dizendo o seguinte: “o Deus que ameaça com a exigência da prestação de contas até o último centavo, é um Deus que bloqueia e anula as pessoas, os grupos, as comunidades”.
Porque todo aquele que traz em sua consciência um Deus que mete medo, não fará nada nesta vida que valha a pena, já que o muito ou o pouco que recebeu será enterrado, por causa do medo. A promessa converte-se em ameaça, o chamado em imposição, a existência em castigo, o Evangelho em lei.
Crer em um Deus que pede conta até o último centavo é o mesmo que crer em um juiz justiceiro que torna a vida amarga e pesada. Sem a superação cotidiana dos medos, nossa experiência de Deus estará comprometida, perderá sua força inovadora e nos fará menos humanos.
A fé no “Deus que dá medo”  se expressa no medo permanente como atitude de vida. Demasiado temor, demasiada falta de espontaneidade e de alegria na relação com Deus.
De fato, não existe depósito de munição mais potencialmente explosivo do que os estoques de medo guardados nas escuras profundezas do nosso ser.
É preciso rastrear, identificar, compreender e desterrar os medos  de nossos corações.
É urgente substituir a cultura do medo pela cultura da coragem. A coragem desbloqueia energias, impulsiona decisões, levanta projetos, reacende a criatividade e o gosto por viver.

E do coração amoroso e maternal-paternal de Deus brota este convite: “Não tenhais medo”.
Um convite com força libertadora; é a força da Graça de Deus que alavanca o passo para a frente: o passo da mudança, o passo da ousadia de sonhar de novo, o passo do trabalho criativo...
As batalhas mais profundas do espírito se conquistam com o atrevimento da coragem, com a força da fé, com a imaginação solta, com a criatividade livre e desimpedida...

Texto bíblico:  Mt. 25, 14-30
 Pe. Adroaldo sj

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

SURPRESA

Amad@s !!!!
Estou preparando umas surpresinhas!!! aguardem. Acho que amanhã já saberão.
Quem tiver assim, com muito curiosidade, me manda um e-mail que ai eu conto.
Bjsssss
Darlene

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pensamento

Deus descansa de sua atividade criadora, apoiando-se nas mãos, na inteligência e no coração do homem, a quem seu Criador considera capaz de continuar a obra por Ele começada.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

É Natal

Alegrem-se !! É Natal do Menino Jesus. O Natal começou no coração de Deus, e só estará completo quando alcançar todos o corações. Desejo a todos Um lindo Natal e um Ano Novo cheio de alegrias e realizações Darlene

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

As Aulas já começaram, estou adorando o curso, Fiquei mesmo na FMU / Moda . Muitas novidades vão acontecer!!!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Só Alegria

OLHA SÓ QUE NOTÍCIA MARAVILHOSA !!!!!!!!!!!!!! Passei no vestivular, em 2010 irei cursar a Faculdade de Moda, FMU ou SENAC, Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiii

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Casamento

Adélia Prado
Há mulheres que dizem: Meu marido, se quiser pescar, pesque, mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, de vez em quando os cotovelos se esbarram, ele fala coisas como "este foi difícil" "prateou no ar dando rabanadas" e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo. Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.
Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.
Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Passei aqui, para dar um abraços em todos, e dizer que logo estarei publicando mais trabalhos. Mas se a curiosidade for grade !!! veja no Elo 7

segunda-feira, 27 de abril de 2009

sexta-feira, 6 de março de 2009

A BOA MULHER
Quem encontrará a mulher talentosa?
Vale muito mais do que pérolas.
Nela confia seu marido,
e a ele não falta riquezas.
Adquire a la e o linho,
e trabalha com mãos hábeis.
Noite ainda se levanta para alimentar os criados, e dá ordens às criadas
Sabe que os negócios vão bem,
e de noite sua lâmpada não se apaga.
Estende a mão ao pobre,
e ajuda o indigente.
Está vestida de força e dignidade,
e sorrir diante do futuro.
Abre a boca com sabedoria,
e sua língua ensina com bondade.
Seus filhos levantam-se para saudá-la,
seu marido canta-lhe louvores.
A Mulher que teme a Deus merece louvor!
Provérbio 31
PARABENS A TODAS AS MULHERES